segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
si vis pacem parabellum
bate-se pela honra nas batalhas
contra os inimigos da fé
que moram na cidade reclamada
por várias fés como altar
de cada uma delas
busca o santo lenho e o graal
por onde foi bebido o sangue ritual
e também os despojos de guerra
que lhe caberão no saque adivinhado
daí, como lembrança,
alguma pedra preciosa
será encastrada no bastão
que adornará sua velhice
de heróico guerreiro
e as memórias
de meninas violadas
no assalto à cidade santa
crê, deveras crê
que só com sangue honrará
o sangue que foi derramado
pelos seus
por seu turno,
os agora por ele sangrados
também acham o mesmo:
também eles acreditam
que o sangramento
é a única forma de honrar
os seus queridos mortos
e as suas queridas meninas violadas
e assim vão procedendo,
varando o tempo
e mais tempo
sempre com sangues
fazendo pazes
em nome de fés
de que já não se lembram
como e quando surgiram
até que a paz da morte
os junte
para sempre.
(c) Carlos Clara Gomes
in "O Rochedo Mas uma Janela"
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