quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

cava

cava

cava fundo

encontra-te a ti mesmo
no pó que já foste

um dia voltarás para aí

reza, ora,

ora a cada hora
em cada noite, manhã ou tarde

para que tarde o momento,
aquele tal momento
que finges que não existirá para ti

e depois desse momento,
quando fores apenas tu
sem o teu corpo mortal?

de que forma sofrerás?

a penumbra que te envolverá
irá deixar-te cego para amares?

ou, por seu turno,
libertar-te-á de alguma coisa?

cava

cava fundo

cava sempre.

(c) Carlos Clara Gomes


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